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Glaucoma8 min

Glaucoma: o que é, sintomas iniciais e tratamento

Entenda o que é glaucoma, quais os sintomas iniciais, os tipos (ângulo aberto e agudo), como é o diagnóstico e os tratamentos com colírio, laser e cirurgia.

Informação de educação em saúde: não substitui avaliação presencial nem diagnóstico individual.

Revisão do conteúdo: 01/07/2026

Escrito e revisado por Leonardo Nunes · Oftalmologista · CRM-CE 27.199 | CRM-PI 10.051

O que é glaucoma?

O glaucoma é um grupo de doenças que danificam progressivamente o nervo óptico, a estrutura que leva as imagens do olho ao cérebro. Na maioria dos casos, o dano está associado ao aumento da pressão intraocular: o líquido natural do olho (humor aquoso) é produzido continuamente e, quando não drena adequadamente, acumula-se e pressiona o nervo.

É chamado de "ladrão silencioso da visão" porque, na forma mais comum, não causa dor nem sintomas perceptíveis nos estágios iniciais. A perda de visão começa pelas bordas do campo visual e, quando o paciente percebe, o dano já pode ser irreversível.

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo — e, ao mesmo tempo, uma das mais evitáveis quando diagnosticada cedo. Essa combinação é o que torna o exame de rotina tão importante.

Tipos de glaucoma

Glaucoma de ângulo aberto

É o tipo mais comum. O sistema de drenagem do olho funciona mal de forma gradual, a pressão sobe lentamente e o nervo óptico é danificado ao longo de anos, sem sintomas na maior parte do percurso. É a forma silenciosa clássica.

Glaucoma de ângulo fechado (glaucoma agudo)

O ângulo de drenagem se fecha de forma abrupta e a pressão sobe rapidamente. Causa crise dolorosa com olho vermelho, visão embaçada, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas e vômitos. É uma emergência oftalmológica: o atendimento nas primeiras horas faz diferença.

Glaucoma de pressão normal

O nervo óptico é danificado mesmo com pressão intraocular dentro da faixa considerada normal. Reforça um ponto importante: medir a pressão isoladamente não basta para afastar o diagnóstico.

Glaucoma congênito e secundário

O congênito se manifesta em bebês e crianças pequenas (fotofobia, lacrimejamento, olhos aumentados) e exige tratamento precoce. O secundário decorre de outra condição — trauma, inflamação, uso prolongado de corticoide, retinopatia diabética avançada ou catarata muito madura.

O que causa o glaucoma?

Não existe uma causa única. O principal fator de risco é a pressão intraocular elevada, mas outros fatores aumentam a probabilidade da doença:

  • Idade acima de 40 anos — o risco cresce a cada década
  • Histórico familiar — parentes de primeiro grau com glaucoma multiplicam o risco
  • Etnia — pessoas negras têm risco maior e formas mais precoces
  • Miopia moderada a alta
  • Diabetes e doenças cardiovasculares
  • Uso prolongado de corticoides (colírio, oral ou até nasal)
  • Córnea fina — influencia tanto o risco quanto a medida da pressão

Ter fatores de risco não significa ter a doença — significa que o rastreamento deve começar mais cedo e ser mais frequente.

Quais são os sintomas do glaucoma?

Sintomas iniciais: geralmente nenhum

No glaucoma de ângulo aberto, os estágios iniciais não doem, não vermelham o olho e não embaçam a visão central. A perda começa pela visão periférica, de forma tão lenta que o cérebro compensa as falhas. Um resultado normal em um teste de acuidade visual não exclui glaucoma: a visão central costuma ser a última a ser afetada.

Sinais de doença avançada

  • Perda perceptível da visão periférica (lateral)
  • Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz
  • Esbarrar em objetos ou pessoas por não vê-los "de canto de olho"
  • Visão em "túnel" nos estágios finais

Sintomas do glaucoma agudo

  • Dor intensa e súbita no olho ou ao redor dele
  • Vermelhidão ocular
  • Visão embaçada com halos coloridos ao redor de luzes
  • Náuseas e vômitos acompanhando a dor ocular
  • Perda súbita de visão

Diante desses sintomas, procure atendimento no mesmo dia.

Como é feito o diagnóstico?

Nenhum exame isolado confirma ou afasta glaucoma — o diagnóstico combina estrutura e função do nervo óptico:

  • Tonometria: medida da pressão intraocular
  • Fundoscopia: avaliação direta do nervo óptico (escavação do disco óptico)
  • Campimetria: exame de campo visual que mapeia áreas de perda de visão periférica
  • OCT do nervo óptico: tomografia que mede a espessura das fibras nervosas da retina, capaz de detectar dano antes da perda de campo visual
  • Gonioscopia: avalia o ângulo de drenagem (diferencia ângulo aberto de fechado)
  • Paquimetria: mede a espessura da córnea, que corrige a leitura da pressão

Em casos suspeitos sem dano confirmado, o oftalmologista pode optar por acompanhamento seriado — repetir exames ao longo de meses para detectar mudança antes de tratar.

Glaucoma tem tratamento?

Sim. O glaucoma não tem cura, mas tem tratamento eficaz — o objetivo é reduzir a pressão intraocular para impedir ou retardar o dano ao nervo óptico. A visão já perdida não é recuperada, e é exatamente por isso que o tratamento precoce importa tanto.

Colírios

São a primeira linha na maioria dos casos. Reduzem a produção do humor aquoso ou melhoram sua drenagem. O uso é diário e contínuo: o colírio só controla a pressão enquanto está sendo usado. Grande parte das progressões acontece por interrupção do tratamento — muitas vezes porque o paciente, sem sentir nada, conclui que "está curado".

Laser

Procedimentos ambulatoriais, rápidos e sem cortes:

  • Trabeculoplastia a laser: melhora a drenagem no glaucoma de ângulo aberto; pode reduzir a dependência de colírios
  • Iridotomia a laser: cria uma pequena passagem na íris para prevenir ou tratar o fechamento do ângulo

Cirurgia

Indicada quando colírios e laser não controlam a pressão ou a doença progride apesar deles:

  • Trabeculectomia: cria uma via alternativa de drenagem
  • Implantes de drenagem: dispositivos que conduzem o humor aquoso para fora da câmara anterior
  • Cirurgias minimamente invasivas (MIGS): opções mais recentes, com recuperação mais rápida, indicadas em casos selecionados — por vezes combinadas com a cirurgia de catarata

A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio, da resposta ao tratamento anterior e das condições do olho.

Convivendo com o glaucoma

O acompanhamento é para a vida toda, mas a rotina é simples quando a doença está controlada: colírio diário e consultas periódicas com campo visual e OCT para confirmar estabilidade. Dois hábitos fazem a maior diferença:

  1. Não interromper o colírio por conta própria — mesmo sem sintomas, mesmo com a pressão "boa" na última consulta.
  2. Manter os retornos — a progressão do glaucoma é detectada nos exames, não nos sintomas.

Quando procurar um oftalmologista?

A partir dos 40 anos, todas as pessoas devem incluir a medida da pressão ocular e a avaliação do nervo óptico nos exames de rotina. Quem tem histórico familiar de glaucoma, é míope, tem diabetes ou usa corticoide com frequência deve iniciar o rastreamento mais cedo.

E diante de dor ocular intensa com olho vermelho e visão embaçada — o quadro do glaucoma agudo — a avaliação deve ser imediata.

Perguntas frequentes

Rastreio, pressão ocular ou acompanhamento de glaucoma?
Agende para avaliar nervo óptico, campo visual e estrutura conforme necessário, com plano de tratamento e retornos definidos.