Degeneração Macular (DMRI): o que é, sintomas e tratamento
Entenda o que é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a diferença entre DMRI seca e úmida, os sintomas na visão central e as opções de tratamento.
Informação de educação em saúde: não substitui avaliação presencial nem diagnóstico individual.
Revisão do conteúdo: 01/07/2026
Escrito e revisado por Leonardo Nunes · Oftalmologista · CRM-CE 27.199 | CRM-PI 10.051
O que é degeneração macular (DMRI)?
A degeneração macular relacionada à idade, conhecida pela sigla DMRI, é uma doença que atinge a mácula — a região central da retina, responsável pela visão de detalhes, leitura, reconhecimento de rostos e percepção de cores. É a principal causa de perda de visão central em pessoas acima de 50 anos, e sua frequência aumenta a cada década de vida.
Um ponto importante para quem recebe o diagnóstico: a DMRI compromete o centro da visão, mas costuma preservar a visão periférica. Mesmo em casos avançados, a pessoa geralmente mantém a capacidade de se orientar e se locomover.
DMRI seca e DMRI úmida: qual a diferença?
DMRI seca (atrófica)
É a forma mais comum — cerca de 9 em cada 10 casos. Caracteriza-se pelo acúmulo de depósitos amarelados chamados drusas sob a mácula e pelo afinamento progressivo das camadas da retina. A evolução é lenta, ao longo de anos, e a perda visual costuma ser gradual: mais necessidade de luz para ler, letras que "somem" no centro da frase, cores menos vivas.
DMRI úmida (exsudativa)
Menos frequente, porém mais agressiva. Vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina (neovascularização) e podem vazar líquido ou sangue na mácula. A perda de visão central pode acontecer em semanas — muitas vezes começando com distorção das linhas retas. É a forma que exige tratamento mais urgente, e é também a que melhor responde às injeções intraoculares.
Uma parcela dos pacientes com a forma seca desenvolve a forma úmida com o tempo. Esse é o principal motivo do monitoramento contínuo.
Quais são os sintomas da degeneração macular?
Os sintomas podem ser sutis no início e incluem:
- Visão central borrada ou com áreas escuras (mancha fixa no centro)
- Linhas retas que parecem onduladas ou distorcidas (metamorfopsia) — batentes de porta, azulejos, postes
- Dificuldade para ler, costurar ou reconhecer rostos
- Necessidade de mais luz para atividades de perto
- Cores que parecem desbotadas ou menos vivas
Como a doença pode começar em um olho só, o cérebro compensa com o olho bom e o sintoma passa despercebido. Vale testar um olho de cada vez de tempos em tempos.
A Tela de Amsler é uma ferramenta simples para essa auto-observação: um quadriculado com um ponto central que evidencia distorções. Você pode fazer o teste de Amsler online aqui no site — e quem já tem diagnóstico de DMRI pode usá-la em casa, conforme orientação médica, para detectar mudanças entre as consultas.
O que causa a DMRI? Fatores de risco
A causa é multifatorial — envelhecimento da retina somado a fatores genéticos e ambientais:
- Idade acima de 50 anos — o principal fator
- Histórico familiar de degeneração macular
- Tabagismo — o fator de risco modificável mais importante; fumantes têm risco várias vezes maior
- Exposição solar sem proteção ao longo da vida
- Hipertensão e doenças cardiovasculares
- Dieta pobre em vegetais e peixes
Parar de fumar, proteger os olhos do sol e cuidar da alimentação não curam a doença, mas reduzem o risco de progressão.
Como é feito o diagnóstico?
O oftalmologista avalia a mácula por meio de:
- Exame de fundo de olho: visualização direta da retina, identifica drusas e alterações pigmentares
- Tomografia de coerência óptica (OCT): imagem em camadas da retina, capaz de detectar líquido, atrofia e mudanças sutis — é o exame central no acompanhamento
- Angiografia fluoresceínica: exame com contraste para identificar e mapear os vasos anormais na forma úmida
Qual é o tratamento da degeneração macular?
Tratamento da DMRI seca
Não há, até o momento, tratamento que reverta a forma seca. O manejo se concentra em retardar a progressão:
- Suplementos vitamínicos (fórmula AREDS2) — luteína, zeaxantina, vitaminas C e E e zinco — indicados em estágios intermediários, com benefício demonstrado em estudos de longo prazo
- Controle dos fatores de risco: parar de fumar, proteção solar, alimentação rica em vegetais verde-escuros e peixes
- Acompanhamento regular com OCT, para detectar precocemente uma eventual conversão para a forma úmida
Tratamento da DMRI úmida
O tratamento padrão são as injeções intravítreas de anti-VEGF — medicamentos aplicados dentro do olho que bloqueiam o crescimento dos vasos anormais e reduzem o vazamento de líquido. Pontos práticos que os pacientes mais perguntam:
- A aplicação é rápida, feita com anestesia por colírio, em ambiente estéril
- O tratamento começa com doses mensais e o intervalo é ajustado conforme a resposta no OCT
- Não é um tratamento de dose única: a constância das aplicações é o que preserva a visão
- Iniciado cedo, o tratamento pode estabilizar e, em parte dos casos, melhorar a visão central
Convivendo com a DMRI
O acompanhamento é contínuo, mas há muito o que fazer no dia a dia: boa iluminação para leitura, lupas e recursos de acessibilidade do celular ajudam a manter autonomia. A tela de Amsler em casa, um olho por vez, uma ou duas vezes por semana, é um hábito simples que antecipa o diagnóstico de mudanças — distorção nova é motivo de consulta antecipada, não de espera pela próxima rotina.
Quando procurar um oftalmologista?
Pessoas acima de 50 anos devem incluir a avaliação da mácula nos exames de rotina — especialmente quem tem histórico familiar de DMRI ou fuma. Procure atendimento imediato se notar distorção de linhas retas, mancha central nova na visão ou perda repentina de nitidez em um dos olhos.