Retinopatia Diabética: o que é, sintomas e tratamento
Saiba o que é retinopatia diabética, os estágios da doença, por que o fundo de olho anual é essencial para quem tem diabetes e as opções de tratamento.
Informação de educação em saúde: não substitui avaliação presencial nem diagnóstico individual.
Revisão do conteúdo: 01/07/2026
Escrito e revisado por Leonardo Nunes · Oftalmologista · CRM-CE 27.199 | CRM-PI 10.051
O que é retinopatia diabética?
A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina — a camada do fundo do olho responsável por captar as imagens. Quando o açúcar no sangue permanece alto por muito tempo, esses pequenos vasos sofrem danos: ficam mais frágeis, vazam líquido e sangue e, nas fases avançadas, estimulam o crescimento de vasos anormais.
É uma das principais causas de perda de visão em adultos em idade produtiva e pode atingir qualquer pessoa com diabetes tipo 1 ou tipo 2 — e também o diabetes gestacional, que exige atenção redobrada durante a gravidez.
Dois fatores pesam mais no risco: tempo de diabetes e controle glicêmico. Não dá para mudar o primeiro, mas o segundo está ao alcance — e faz diferença comprovada na velocidade de progressão.
Estágios da retinopatia diabética
A doença evolui em fases, e a conduta muda conforme o estágio:
Retinopatia não proliferativa (leve a moderada)
Fase inicial: pequenas dilatações nos vasos (microaneurismas), pontos de sangramento e vazamentos discretos. Em geral não há sintomas — a alteração só aparece no exame de fundo de olho. A conduta costuma ser controle clínico e acompanhamento.
Retinopatia não proliferativa grave
Os danos se acumulam: áreas da retina ficam sem irrigação adequada (isquemia). O risco de progressão para a forma proliferativa é alto, e o acompanhamento fica mais frequente — em casos selecionados, o tratamento já é indicado nesta fase.
Retinopatia proliferativa
A fase mais avançada. A retina isquêmica estimula o crescimento de vasos anormais (neovasos), que são frágeis e podem sangrar dentro do olho (hemorragia vítrea) ou tracionar a retina até descolá-la. É a forma com maior risco de perda grave de visão — e a que mais se beneficia de tratamento imediato.
Edema macular diabético
Pode ocorrer em qualquer estágio: líquido acumulado na mácula, a área central da retina. É a principal causa de baixa visão no diabetes — a visão central fica borrada, as letras "dançam" e os rostos perdem definição.
Quais são os sintomas?
Nos estágios iniciais, a retinopatia diabética costuma não apresentar sintomas — a visão pode parecer normal mesmo com alterações já presentes na retina. Com a progressão, podem surgir:
- Visão embaçada ou com áreas escuras
- Manchas ou pontos flutuantes na visão (moscas volantes que aumentam de repente)
- Dificuldade para enxergar à noite
- Perda súbita de visão (sangramento intraocular, nos casos avançados)
O ponto central: quem espera sintomas para procurar o oftalmologista chega tarde. O rastreamento anual existe exatamente porque a fase tratável é silenciosa.
Fundo de olho no diabetes: como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito pelo exame de fundo de olho (fundoscopia ou mapeamento de retina), com a pupila dilatada por colírio. O exame é indolor e permite ao oftalmologista visualizar diretamente os vasos da retina e estadiar a doença.
Exames complementares ajudam a definir a conduta:
- Tomografia de coerência óptica (OCT): mede o inchaço da retina camada por camada — o exame central para diagnosticar e acompanhar o edema macular
- Angiografia fluoresceínica: exame com contraste que identifica áreas de vazamento e de isquemia
- Retinografia: fotografias do fundo de olho para documentação e comparação entre consultas
Qual é o tratamento da retinopatia diabética?
A conduta depende do estágio e da presença ou não de edema macular:
- Controle clínico (em todos os estágios): manter glicemia, pressão arterial e colesterol dentro das metas é a base de tudo. Nas formas leves e moderadas sem edema macular, costuma ser a única conduta necessária, somada ao acompanhamento regular. O trabalho conjunto com o endocrinologista faz parte do tratamento ocular.
- Injeção intravítrea (anti-VEGF): primeira linha quando há edema da mácula com prejuízo da visão. O medicamento reduz o vazamento e o inchaço; o esquema começa com aplicações mensais e o intervalo é ajustado pela resposta no OCT. Também usada em casos selecionados de retinopatia proliferativa.
- Fotocoagulação a laser: indicada principalmente nas formas avançadas — não proliferativa grave e proliferativa — para reduzir o estímulo à formação de neovasos e prevenir sangramento e descolamento de retina.
- Vitrectomia: cirurgia reservada aos casos mais avançados, quando há sangramento persistente dentro do olho ou descolamento de retina por tração.
Tratada a tempo, a retinopatia diabética raramente leva à cegueira. O prognóstico ruim está quase sempre associado ao diagnóstico tardio.
Como prevenir a perda de visão pelo diabetes
- Fundo de olho pelo menos 1 vez ao ano, mesmo sem queixas e com glicemia controlada
- Hemoglobina glicada dentro da meta combinada com o seu médico clínico
- Pressão arterial e colesterol controlados — danificam os mesmos vasos
- Não fumar
- Atenção redobrada na gravidez — a gestação pode acelerar a progressão da retinopatia
Quando procurar um oftalmologista?
Toda pessoa com diabetes deve realizar exame de fundo de olho anualmente, mesmo sem sintomas visuais. Procure atendimento imediato se notar perda repentina de visão, aumento súbito de manchas flutuantes, sombras fixas no campo de visão ou qualquer alteração visual nova.
O diagnóstico precoce é a melhor forma de preservar a visão.